Manias e costumes: quando o hábito vira vício?
Roer unhas, checar o celular a todo momento ou repetir pequenas ações no dia a dia são comportamentos comuns e, muitas vezes, inofensivos. No entanto, quando essas manias passam a interferir na rotina, nas relações ou no bem-estar emocional, acendem um sinal de alerta importante para a saúde mental.
De acordo com o psicólogo Miguel Lessa, coordenador de Psicologia da Wyden, o principal critério para diferenciar um hábito de um problema mais sério está no impacto que ele causa na vida da pessoa. “Isso ocorre quando a pessoa emite um determinado comportamento que compete com outros comportamentos esperados, como trabalhar, estudar ou manter relações. Se a rotina está sendo impactada, é um sinal de alerta”, explica.
O especialista destaca que nem sempre o problema é visível para quem está de fora. Em muitos casos, a pessoa mantém uma aparência de normalidade, mas enfrenta um sofrimento interno significativo. “Às vezes, externamente ela parece bem, mas internamente enfrenta ansiedade, tristeza ou angústia de forma intensa, o que pode indicar que esse comportamento já ultrapassou a linha da normalidade”, afirma.
Além dos prejuízos mais evidentes, como perda de tempo ou dinheiro, existem sinais psicológicos mais sutis que indicam que a pessoa pode estar se tornando dependente de um comportamento. “Muitas vezes, essas ações passam a ser usadas como uma forma de aliviar emoções negativas, como estresse, ansiedade ou tédio. Isso funciona como um calmante temporário, mas pode evoluir”, pontua Miguel.
Outro indicativo importante é o aumento da frequência ou intensidade do comportamento ao longo do tempo. “A pessoa precisa repetir cada vez mais aquela ação para obter o mesmo alívio. Também podem surgir sinais de abstinência psicológica, como irritabilidade, ansiedade ou sensação de vazio quando não está envolvida naquele comportamento”, acrescenta.
Em casos mais graves, o que começa como uma simples mania pode evoluir para transtornos mais complexos, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). “Quando esses rituais passam a consumir muito tempo do dia e geram sofrimento significativo, além de prejudicar relações e atividades cotidianas, há um risco real para a saúde mental”, alerta.
Outro ponto de atenção é a tentativa de interromper o comportamento sem orientação profissional. Segundo o especialista, isso pode trazer consequências inesperadas. “Existe um risco real de substituir uma dependência por outra, porque o cérebro continua buscando a mesma sensação de recompensa. Por isso, é fundamental buscar ajuda profissional para tratar a causa do problema”, explica.
Apesar disso, muitas pessoas ainda resistem a procurar terapia por acreditarem que suas manias são “bobas” ou por medo de julgamento. No entanto, Miguel Lessa reforça que o acompanhamento psicológico é essencial para evitar que o problema se agrave. “A psicoterapia e, em alguns casos, o acompanhamento médico são fundamentais para entender a origem desse comportamento e evitar impactos maiores na saúde mental”, conclui.
Compartilhar o conteúdo:



Publicar comentário